Dia 15 último, celebramos, ou deveríamos ter celebrado o
“Dia do Professor
”. Com certeza se disseram aqui e acolá coisas pífias sobre os professores, pieguices e lugares-comuns, no mais das vezes. Tão simplesmente.
Esquecemo-nos, os planejadores e políticos, também, que um dos fatores essenciais de sucesso para a evolução de um país chama-se educação, palavra tão declamada, tão freqüente nos palanques, quanto desdenhada, quanto esquecida.
Vejamos alguns exemplos da história moderna de como alguns países ingressaram no mundo dos países modernos:
Era
Meiji-Japão – corresponde praticamente à segunda metade do século XIX; o nome desses cinqüenta anos deve-se ao imperador Meiji, cujo reinado significou catapultar o Japão do feudalismo em que, então, vivia, para a modernidade de uma notável sociedade industrial. Esse período foi demarrado como reação à invasão americana de 1853 (os americanos estão sempre invadindo algum país, deve ser tara de nascença).
Uma das reformas fundamentais suscitadas pelo imperador Meiji foi a da educação e, em 50 anos, em 1906, mais propriamente, 95% da população japonesa era atendida pela educação pública (sem COCs, Anglos
, Objetivos e outros modernismos) e o nível de alfabetização já era dos maiores do mundo.
Anteriormente ao Meiji, as meninas não eram alfabetizadas e os garotos, apenas os filhos de samurais. Lembremo-nos de que o único país a alçar-se ao clube dos países desenvolvidos nos últimos 200 anos foi o Japão.
Prússia-Alemanha – a transição da Prússia para o II Império Alemão se deu no último quartel do século XIX. Não é preciso dizer da Alemanha como potência científica, cultural e industrial.
O artífice das reformas que modernizaram a Prússia foi o príncipe Otto Von Bismarck (primeiro-ministro do reino da Prússia entre 1862 e 1870 e primeiro chanceler da Alemanha entre 1871 e 1890).
Bismarck reunificou a Alemanha (assim como Garibaldi reunificou a Itália) e introduziu mudanças radicais que levaram o novo império à condição de país-chave da Europa. Uma das suas reformas mais notáveis foi a da educação e é dele o dizer: “vocês ficam sempre falando que a Alemanha moderna é obra minha, dos políticos e dos militares; trata-se de um equívoco, o grande artífice do Império é o mestre-escola” (nada como um alemão inteligente para dizer coisas precisas; imaginem se tivéssemos um estadista com essa visão!).
Turquia – o indutor das reformas turcas, que se deram a partir de 1920, foi o general Mustafá Kemal; adicionou-se-lhe o epíteto Ataturk por lei parlamentar; o significado de Ataturk é “pai dos turcos”.
Ataturk comandou a revolução que sucedeu o caos da I Guerra, expulsando do poder os sultões otomanos, que há 700 anos controlavam a Turquia.
Alfabetizou o país, antes alfabetizando as forças armadas (mudou, de início, o alfabeto, ocidentalizando-o) e cada soldado passou a alfabetizar uma cota prefixada da população.
Kemal acreditava que a dificuldade da escrita árabe sustentava o analfabetismo da sua nação. Por isso é que mudou o alfabeto, usando símbolos latinos e gregos. Viajou com um quadro-negro e giz pelo interior
da Turquia para explicar pessoalmente como as novas letras deveriam ser pronunciadas.
Transformou a Turquia em estado laico, ordenou que as meninas fossem admitidas nas escolas, concedeu às mulheres o direito de voto e o acesso a empregos no comércio, na indústria e na administração pública; proibiu a poligamia.
Bem, tais considerações me vieram à mente estimuladas por um relatório do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e de uma conversa que mantive pela Rádio Alternativa na manhã do dia das eleições
com Jr. Pacheco, naquele momento, aspirante à vice-prefeito.
Júnior falava com bastante critério dos prognósticos eleitorais e das propostas de governo de Luis Campaci e dele mesmo. Lá nas propostas se diz da cidade digital, das ações pró industrialização, etc. O documento é muito bem feito, diga-se.
Reli, então,
o relatório do TSE
, que fornece
algumas informações: 4% do
eleitorado de Capivari é analfabeto, 6% é quase analfabeto, 43% possui primeiro grau incompleto,
4%, apenas, tem curso superior completo.
Preocupante, não é? Estamos aquém do Japão de um século atrás. Como reformar Capivari com uma população tão desapetrechada assim? A palavra-chave é EDUCAÇÃO. Sem isto, pouco será possível.
* * *
Minha homenagem particular a todos os professores, nas pessoas dos mestres:
Albertina Azevedo Secaf, Flávia Duarte, Guilhermina Pelegrini, Jandyra Conforti Vaz, Newton Pimenta Neves, José de Almeida, Hans Peter Heilmann, Flávio Pacheco, Normann Kerr Jorge, José Benedito Pinto Antunes, Margarida Campo Dall’Orto, Pedro Henrique Saldanha, Carlos Lopes de Mattos, Adalberto Piovezani, Airton Badellucci, Rui Aguiar da Silva Leme, Max Correa Barcellos, Nelson Gil de Campos, Giorgio Giacaglia, Décio Leal de Zagottis, Sergio de Oliveira Assis, Telêmaco Van Langendonck, Remi Benedito Silva, Sergio Baptista Zacarelli, Gaspar Ricardo, Guido Picciotti, João Breves Filho, Fernando Motta, Frediano Quilicci, Jaci Monteiro da Silva...
Tantos outros há, de escolas outras, de outras plagas.
A maioria deve estar já entre os anjos, ilustrando-os com proficiência, dedicação e energia. Se o Brasil desconsidera os professores, o céu, com certeza, deles se lembra.