|
11 de março de 2010 |
 | Crediário sem calote
José Maria de Campos
|
Ainda criança aprendi muito sobre economia doméstica com Dona Vitória, minha mãe. As compras eram feitas nas lojas de Rafard e Capivari marcadas num caderno, geralmente surrado de tanto uso, da loja.
Lojas como da dona Rosária, Maria de Nê, Lurdes Bazanela, Tita Marreto (ou Moreto), Tita Vendramin, Armazém de Odete e Cesar Aprilante, entre outras.
Final do mês, quando a Usina fazia o pagamento de seus funcionários, meu pai entregava todo salário para que minha mãe administrasse.
Ela somava ao que recebia por lavar roupas para a vizinhança ou alvejar sacos de açúcar para a Usina e fazia os pagamentos.
A cada credor pagava um pouco por mês, mas ninguém ficava sem sua parte.
Não havia carnêt, promissória ou coisa parecida. Tudo era feito na palavra e o valor da parcela variava conforme os rendimentos do mês, hora mais, hora menos, mas as contas iam sendo saldadas e anotadas no improvisado livro caixa das lojas.
Uma confiança mútua que sempre rendeu bons frutos e excelente relacionamento entre lojas e freguesas.
Vale lembrar para completar esse momento de nostalgia creditícia os verdureiros, padeiros, ambulantes e os famosos e conhecidos mascates que vinham até as residências trazendo ofertas tentadoras.
Hoje o dinheiro é mais, os controles de crédito maiores e, ao contrário de antigamente, as dívidas e calotes crescem a cada dia.
Vá entender! | |